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Estudo: UNICEF - Situação Mundial da Infância 2015 - Resumo Executivo

| Editoria Estudos | 04/02/2015

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UNICEF (DR)

UNICEF: Situação Mundial da Infância 2015 - Resumo Executivo

Reimagine o futuro - Inovação para cada criança

Em todo o mundo, ocorre uma revolução inovadora para as crianças – frequentemente nos lugares mais inesperados –, liderada cada vez mais pelos próprios jovens.

Estimuladas por criatividade, conectividade e colaboração, surgem novas maneiras de solucionar problemas – em laboratórios de projetos tecnológicos e de universidades, em organizações e empresas de desenvolvimento, em cozinhas e centros comunitários.

Para comemorar o 25.º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, esta edição do relatório Situação Mundial da Infância destaca o trabalho de jovens inovadores notáveis que já estão reimaginando o futuro – e convida o mundo a juntar-se a esse movimento crescente para fazer avançar os direitos de cada criança.

Sobre o relatório

No momento em que o mundo comemora o 25.º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, o relatório Situação Mundial da Infância exige abordagens novas e corajosas para enfrentar problemas antigos que ainda afetam as crianças menos favorecidas. Em particular, o relatório clama por inovação e pelas melhores soluções – e as mais brilhantes – que partem das comunidades e que podem ser adequadas a todas as situações para beneficiar todas as crianças.

A própria Convenção foi uma inovação que reconheceu a criança como um indivíduo cujos direitos devem ser respeitados da mesma forma que os direitos dos adultos, e tem ajudado a impulsionar progressos notáveis para milhões de crianças. No entanto, é imenso o número de crianças que ainda são deixadas para trás.

Para finalizar assuntos inacabados, é preciso inovar. E inovar significa criar sistemas interligados e novas redes de solucionadores de problemas, que sejam transversais a setores, gerações e geografias; significa ampliar soluções locais para resolver desafios globais – eadaptá-las a novos contextos; significa formatar novos mercados e estimular o setor privado a planejar com vistas ao desenvolvimento; significa criar soluções com a participação das comunidades, com vistas à inclusão de todos os seus membros, impedindo que inovações ampliem diferenças; significa fazer as coisas de forma diferente, orientando as mudanças em favor da criança.

Com essa perspectiva, o relatório Situação Mundial da Infância deste ano é diferente. É inspirado no trabalho extraordinário desenvolvido em países e comunidades ao redor do mundo. É orientado pelos princípios de inovação inclusiva que o UNICEF está ajudando a desenvolver. E grande parte do seu conteúdo tem origem em inúmeras fontes – a partir de experiências e percepções de pessoas que trabalham ativamente para tornar o mundo um lugar melhor para todas as crianças.

Ao longo do último ano, o UNICEF realizou uma sucessão de simpósios globais – os Activate Talks – reunindo inventores jovens, pessoas inovadoras, empresários, artistas e outros colaboradores para falar sobre inovações que eles veem, que são necessárias e que estão ajudando a impulsionar. Muitas de suas histórias estão incluídas em artigos e ideias apresentados aqui. De fato, o relatório Situação Mundial da Infância deste ano inclui o maior número de artigos – e o maior número de artigos escritos por jovens – desde 1980, quando foi publicado pelo UNICEF pela primeira vez.

Esta é também a primeira publicação do relatório em mídia totalmente digital, com conteúdo interativo, multimídia e tradicional. Os usuários são convidados a personalizar suas experiências navegando por categorias ou deixando sua marca no conteúdo por meio de uma série de tags, permitindo seu envolvimento com as ideias que lhes sejam mais significativas. A plataforma digital também permite que você se conecte com uma comunidade de inovação e uma constelação de ideias acessíveis por meio de um mapa interativo do mundo.

Você está convidado a participar dessa conversa, compartilhar suas próprias ideias e experiências, e criar conexões que possam trazer mudanças exponenciais para as crianças menos favorecidas. Quem sabe que ideias você poderá inspirar, com que ações poderá contribuir, quais colaboradores poderá encontrar, que mudanças poderá realizar?

Não pense neste relatório como sendo do UNICEF. Pense nele como sendo seu próprio relatório.

Parte 1 – Moldando mudanças para beneficiar todas as crianças

O mundo vem mudando rapidamente. Onde em 1990 havia cinco bilhões de pessoas, em 2050 haverá nove bilhões – aproximadamente 2,7 bilhões com menos de 18 anos. Muitas crianças nascidas hoje desfrutarão de imensas oportunidades não disponíveis há 25 anos. Mas nem todas terão a mesma chance de crescer saudáveis, de receber educação e de conseguir realizar seu potencial, tornando-se cidadãos plenamente participantes, como prevê a Convenção sobre os Direitos da Criança.

A magnitude das mudanças e o escopo de novas ideias que testemunhamos hoje são notáveis. No entanto, muitas vezes representam também disparidades extremas.

Considere este aspecto: hoje você pode ser identificado instantaneamente por gigantes da internet, que conseguem prever do que você gosta e do que não gosta, e construir um perfil detalhado sobre você por meio de algoritmos sofisticados. No entanto, uma em cada três crianças não tem uma identidade legal – porque não foi realizado o processo simples de registro de seu nascimento.

Em algumas localidades, automóveis são movidos apenas a electricidade – ou até mesmo sem um ser humano na direção. Ao mesmo tempo, em outros lugares, receitas médicas importantes devem ser preenchidas a mão – e, por falta de infraestrutura, podem levar 30 dias para ir de uma clínica rural a um laboratório na capital.

À medida que traça seu curso para a era pós-2015, na sequência dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a comunidade de desenvolvimento global deve perguntar: mudanças rápidas acentuarão ou reduzirão os extremos que separam crianças que precisam de muito pouco daquelas que são privadas de quase tudo?

A resposta a essa pergunta não é predeterminada: há uma opção a ser feita. Governos, comunidades humanitárias e de desenvolvimento, e parceiros na sociedade civil, nas empresas e nas universidades continuarão no mesmo caminho, registrando melhorias incrementais na situação da criança, mas sem eliminar as diferenças? Ou podemos ser mais ousados, experimentando abordagens não convencionais e procurando soluções em novos lugares para acelerar os progressos rumo a um futuro em que todas as crianças possam usufruir de seus direitos?

Crianças estão nascendo em um mundo cada vez mais conectado, em que são tênues as linhas entre problemas locais e globais. O aquecimento global gera inundações em cidades litorâneas, ao mesmo tempo em que atinge fazendas no interior com a seca. Doenças e conflitos ultrapassam fronteiras internacionais. Trabalhadores migrantes enfrentam restrições de migração ou de remessa de dinheiro e de mercadorias que tiram de seus filhos, em países distantes, os meios para alimentar-se adequadamente e ir para a escola.

Também as soluções estão cada vez mais entrelaçadas. Em nosso mundo globalizado e hiperconectado, pessoas, tecnologias e ideias movem-se com fluidez jamais vista, gerando oportunidades sem precedentes para a colaboração que visa criar mudanças em larga escala. Sem dúvida, começa a surgir uma infraestrutura global de exploração – com inovadores compartilhando ideias através de fronteiras e entre grupos de pessoas que anteriormente eram excluídas do mercado do conhecimento e das ideias.

Esses inovadores vêm pressionando os limites do possível, muitas vezes com pequenas soluções para problemas locais, que têm potencial para desencadear mudanças e ajudar um número cada vez maior de crianças a ter acesso aos serviços e às oportunidades que lhes cabem por direito – mas que nem sempre se tornam realidade.

Para ampliar o impacto dessas inovações, precisamos fortalecer sistemas que possam contribuir para ajustar à demanda as novas ideias mais promissoras. Maior interconectividade já vem facilitando uma colaboração mais ampla entre o sector privado – que tem velocidade, agilidade e ímpeto para reinventar – e o mundo do desenvolvimento – que tem capacidade para conduzir parcerias, orientar políticas e implementar soluções nos locais necessários. A mesma conectividade deve ser acessível aos solucionadores de problemas na comunidade – ajudando a criar um espaço de trabalho global efectivamente colaborativo, capaz de forjar soluções que tragam para milhões de pessoas maior igualdade no acesso a bens, serviços e oportunidades.

Para minimizar os riscos das mudanças e maximizar seus benefícios para as crianças que vivem nas condições menos favorecidas, precisamos de novos produtos e processos, novos parceiros e novos modelos de parceria, que devem ser acessíveis a pessoas desfavorecidas e vulneráveis, e influenciados por elas. Devem refletir melhor a realidade e as necessidades dessas pessoas. Inovação por si só não é suficiente: precisamos de inovações que incorporem e desenvolvam inclusão e oportunidades para todas as crianças.

A boa notícia – como mostra o relatório Situação Mundial da Criança deste ano – é que inovações já vêm ocorrendo, em lugares muitas vezes inimagináveis, fornecendo hoje soluções com potencial para mudar a vida de milhões de crianças nos próximos anos. O futuro já chegou. O que fazemos dele depende de nós.

Parte 2 – Um futuro distribuído de maneira injusta

Há 25 anos, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Desde então, os progressos vêm beneficiando milhões de crianças. Sempre que cumpriram suas obrigações de acordo com a Convenção, investindo dinheiro e energia, os governos, seus parceiros internacionais, as empresas e as comunidades salvaram e melhoraram a vida de centenas de milhões de crianças. No entanto, apesar da significativa amplitude dos progressos em áreas-chave – sobrevivência infantil, educação, acesso a água limpa –, ainda é muito grande o número de crianças que enfrentam o futuro sem que suas necessidades sejam atendidas, sem que seus direitos sejam realizados, e frustradas no aproveitamento de seu potencial.

Os países de baixa renda ainda concentram populações vivendo na pobreza e em condições de desvantagem, mas a maioria das crianças pobres vive agora em países de renda média – países atormentados pelas maiores desigualdades de renda. Nesses e em outros países, a privação está desproporcionalmente concentrada em favelas urbanas e em áreas rurais remotas, assim como em grupos marginalizados – por exemplo, minorias étnicas e pessoas com deficiência.

No momento em que uma criança chega ao mundo, até mesmo sua segurança depende de sorte em relação ao local de nascimento e às condições de vida de sua família – e a desigualdade estende-se ao longo da infância, e além dela:

- Mulheres que pertencem à parcela dos 20% mais ricos da população do mundo têm uma probabilidade 2,7 vezes maior de ser atendidas por pessoal habilitado no momento do parto do que mulheres que fazem parte dos 20% mais pobres. Na Ásia Meridional, as mulheres mais ricas têm uma probabilidade cerca de quatro vezes maior de obter esse benefício do que as mais pobres.

- No mundo todo, 79% das crianças mais ricas menores de 5 anos de idade têm seu nascimento registrado, mas apenas 51% das mais pobres são respeitadas em seu direito a uma identidade oficial. E enquanto 80% das crianças que vivem em cidades são registradas, essa realidade é constatada para apenas 51% daquelas que vivem em áreas rurais.

- Crianças que pertencem à parcela dos 20% mais pobres da população mundial têm probabilidade duas vezes maior de apresentar retardo de crescimento devido a nutrição deficiente e de morrer antes de completar 5 anos de idade do que crianças que fazem parte dos 20% mais ricos. Crianças que vivem em áreas rurais encontram-se em desvantagem semelhante quando comparadas àquelas que vivem em áreas urbanas.

- Cerca de nove em cada dez crianças que pertencem aos 20% de famílias mais abastadas nos países menos desenvolvidos frequentam a escola primária – em comparação com apenas seis em cada dez crianças que pertencem às famílias mais pobres. A diferença pode ser dramática mesmo em países de renda média. Na Nigéria, por exemplo, 94% das crianças das famílias mais ricas frequentam a escola, em comparação com 34% das crianças das famílias mais pobres.

- Independentemente do nível de riqueza, meninas ainda ficam para trás em relação à educação. Na África Central e Ocidental, para cada cem meninos matriculados na escola primária são admitidas apenas 90 meninas. O nível de exclusão é mais grave para a escola secundária: apenas 76 meninas matriculadas para cada cem meninos.

- Uma menina adolescente tem maior probabilidade de estar casada ou de viver em união aos 19 anos de idade do que um adolescente do sexo masculino, e menor probabilidade de ter conhecimentos abrangentes sobre HIV do que um menino na mesma faixa etária. Na Ásia Meridional, a probabilidade de adquirir esses conhecimentos, com os quais podem se proteger, é cerca de duas vezes maior para os meninos do que para as meninas.

- Dos 2,5 bilhões de pessoas em todo mundo que ainda não têm acesso a condições adequadas de saneamento básico, cerca de 75% (ou aproximadamente 1,8 bilhão) vivem em áreas rurais. Por exemplo, dados da Índia, de Bangladesh e do Nepal mostram poucos progressos entre 1995 e 2008 em relação à cobertura de saneamento adequado em meio à parcela dos 40% de famílias mais pobres.

Parte 3 – Inovando para a equidade

Para que todas as crianças tenham chances iguais de realizar plenamente seu potencial, a inovação deve não só trazer benefícios para aqueles que podem pagar por eles, mas também atender às necessidades e promover os direitos das pessoas que têm o mínimo.

A isso demos o nome de inovação para a equidade, e já está ocorrendo em laboratórios de tecnologia e laboratórios em universidades, nos governos, nas empresas e em organizações de desenvolvimento; nas cozinhas, nas salas de aula e em centros comunitários em todos os lugares do mundo. Inovadores vêm utilizando fontes não convencionais de conhecimento e colaboração, rompendo com processos e estruturas estabelecidas, e utilizando recursos disponíveis de forma criativa para produzir soluções práticas que resultem em maior qualidade ou maior impacto a custos mais baixos.

Mas como determinar se uma inovação e o próprio processo de inovação são úteis para desenvolver oportunidades iguais para todas as crianças, independentemente das circunstâncias em que nasceram?

O UNICEF e seus parceiros – governos, empresas, organizações filantrópicas e o sistema das Nações Unidas – endossaram princípios de inovação pela equidade. Em nossa experiência, esse tipo de inovação:

- é direcionado para crianças que abordagens tradicionais não conseguem alcançar;

- é projetado com o usuário e para o usuário, de modo a atender a necessidades específicas de crianças e famílias excluídas e vulneráveis, a custos a acessíveis para essa população;

- está ancorado nos princípios dos direitos da criança, incluindo a não discriminação, a fim de que todas as crianças e suas famílias tenham a mesma chance de desfrutar de produtos e serviços de alta qualidade;

- é participativo – envolvendo crianças, jovens e suas comunidades como agentes de mudança;

- está enraizado em circunstâncias locais – sociais, culturais, econômicas, institucionais e políticas – e pode ser adaptado a diferentes contextos;

- baseia-se em evidências consistentes e está sujeito a avaliações, revisões e monitoramento rigorosos, de modo a aumentar o benefício para as famílias mais necessitadas e vulneráveis;

- é sustentável dentro das restrições financeiras e ambientais dos países ou das comunidades; não depende de subsídios ou de degradação de recursos naturais;

- pode ser adequado, de modo a beneficiar o maior número possível de pessoas em cada contexto específico: uma vez que as circunstâncias variam conforme a situação, nem tudo será apropriado para todas as condições;

- assume riscos, uma vez que o fracasso é uma consequência inerente ao teste de novas ideias e parte essencial da criação de inovações bem-sucedidas.

Há mais em jogo do que a necessidade de prover engenhocas de última geração a consumidores de alta renda. A inovação para a equidade visa mudar a vida de crianças menos favorecidas. Assim sendo, inovadores devem buscar um equilíbrio diferente e mais delicado – aceitar o grau de risco necessário para conquistar novas soluções e, ao mesmo tempo, salvaguardar as esperanças e o bem-estar da criança. Então, como colocar em prática esses princípios?

Inovar significa ir além de fronteiras e recusar-se a aceitar o status quo. Assim sendo, uma abordagem para inovação baseada em princípios começa por questionamentos e é orientada por eles, não por prescrições. Ao longo desse processo – desde a identificação de problemas até o desenvolvimento e a adequação de soluções para avaliar seu impacto –, algumas questões-chave que inovadores e facilitadores devem considerar incluem:

- Avaliação do contexto

Que barreiras impedem que as crianças e as famílias mais pobres tenham acesso aos bens,  serviços e oportunidades de que necessitam para realizar seus direitos?

O que já foi tentado antes? Por que não funcionou?

Há soluções locais potencialmente disponíveis que possam ser desenvolvidas com apoio? De que tipo de apoio necessitam os inovadores locais?

De que maneira comunidades – principalmente seus membros mais excluídos, como mulheres e meninas ou minorias étnicas – podem ser atraídas para participar no desenvolvimento e na implementação de soluções?

- Desenvolvimento de soluções

A solução atende a padrões de qualidade aplicáveis?

Os mais pobres conseguirão arcar com os custos?

A solução será acessível também a crianças com deficiência ou que pertençam a outros grupos desfavorecidos?

A solução é apropriada para a faixa etária pretendida e para as normas sociais e culturais predominantes?

Existem instituições, infraestrutura, estrutura jurídica, recursos e capacidades necessários para que a solução funcione? Como preencher as lacunas?

A solução é financeiramente sustentável? Será preciso mais dinheiro para sua continuidade?

- Avaliação de soluções

A solução é sustentável em termos ambientais e financeiros?

Todos os usuários terão as mesmas oportunidades de comentar a solução adotada?

Quais os riscos envolvidos na implementação da solução? Esses riscos são aceitáveis?

O que acontecerá se não der certo? De que tipo de apoio as comunidades precisarão para lidar com o fracasso?

De que forma as lições aprendidas com o fracasso serão aproveitadas em futuros esforços?

- Adequação de soluções à demanda e adaptação ao contexto

Como saber se uma solução pode ser ajustada à demanda?

O que fazer para ajustá-la à demanda?

Se uma solução não pode ser ajustada à demanda, qual é seu valor?

Quando uma solução é adaptada a um novo contexto, o que deve ser modificado?

- Envolvimento de crianças e jovens

Como envolver crianças e jovens no processo de inovação?

Que medidas devem ser adotadas para proteger crianças envolvidas no processo de desenvolvimento e implementação de soluções? De que forma elas devem ser compensadas por seu tempo e seu esforço?

Que tipo de educação ou capacitação pode ajudar a estimular a criatividade e o pensamento crítico da criança? Como garantir que as crianças mais pobres e menos favorecidas não sejam excluídas de tais oportunidades?

Muitas vozes, muitas histórias

Em países e comunidades do mundo todo, as pessoas vêm realizando atos notáveis para tornar o mundo um lugar melhor para todas as crianças – ultrapassando fronteiras, desafiando pressupostos e compartilhando soluções criativas. O relatório Situação Mundial da Infância 2015 apresenta muitas experiências e percepções desses inovadores, em suas próprias palavras. Utilizando as categorias a seguir, os leitores do relatório on-line podem explorar essas experiências.

As páginas a seguir apresentam algumas das histórias incluídas em cada categoria do relatório digital.

Engajando os jovens

Os jovens vêm encontrando novas formas de participar e reivindicar seus direitos.

Em todo o mundo, crianças e jovens estão usufruindo de oportunidades sem precedentes para conectar-se uns aos outros e compartilhar experiências e informações. Projetos inovadores, alguns iniciados ou implementados pelos próprios jovens, vêm ajudando a produzir mudanças a partir dessas conexões. Jovens utilizam a internet e tecnologias móveis para acompanhar questões que os preocupam e para comunicar-se diretamente com tomadores de decisão. Crianças que vivem e trabalham nas ruas vêm encontrando recursos que as ajudam a planejar o futuro.

Ao mesmo tempo, adultos começam a perceber que é importante ouvir as crianças. Projetistas de tecnologias reconhecem que informações dadas pelas crianças são essenciais para criar produtos que efetivamente atendam às suas necessidades e a seus desejos – e que se baseiem na imaginação e na criatividade de crianças para ampliar o reino do possível. Iniciativas humanitárias, embora de absorção mais lenta, também começam a consultar as crianças para que processos burocráticos, complexos e intimidativos respondam melhor às suas necessidades. Perguntar às crianças o que desejam e do que necessitam simplesmente leva a melhores resultados.

Despertando a criatividade

Jovens precisam de apoio e educação de qualidade para realizar seu potencial como inovadores.

Crianças e jovens são inovadores naturais. Além disso, são pessoas altamente conscientes e profundamente preocupadas com os desafios enfrentados por suas comunidades. Estimular sua criatividade e seu pensamento crítico é fundamental para ajudá-los a desenvolver seu potencial para solucionar esses problemas. Do mesmo modo, ampliar o acesso à educação de qualidade lhes garante habilidades e conhecimentos concretos em disciplinas como ciências e engenharia, necessárias neste mundo orientado pela tecnologia. É especialmente importante que as crianças que a sociedade mantém em situação desfavorável – devido a gênero, deficiência, condição de minoria étnica ou de pobreza – tenham oportunidades iguais de aprender e participar.

Em todo o mundo, inovadores experimentam abordagens não convencionais para a educação – como a utilização de brinquedos simples para ilustrar princípios científicos, ou a instalação de laboratórios de inovação para dar à criança um espaço em que possa lidar com modelos e máquinas. Tais iniciativas transmitem conhecimentos e habilidades importantes e dão às crianças oportunidades de construir confiança como pensadores, formuladores e solucionadores de problemas. Essas experiências podem mudar a vida das crianças – e estas, por sua vez, têm potencial para mudar o mundo.

Trabalhando com comunidades

Estão surgindo soluções inclusivas e sustentáveis, criadas por pessoas da comunidade, para pessoas da comunidade.

Crianças, famílias e comunidades são agentes autônomos, e reconhecê-los como tal é uma condição crítica para respeitar seus direitos humanos – e para criar soluções bem-sucedidas e sustentáveis. Quando surgem a partir da iniciativa de membros da comunidade que contam com sua participação, novos empreendimentos têm maior probabilidade de atender às necessidades dessa comunidade de forma aceitável e sensível a fatores sociais, culturais e políticos do local do que iniciativas implementadas por pessoas estranhas à comunidade.

Vários projetos inovadores vêm alcançando resultados ao enfatizar participação e atividades locais. Em alguns países, programas de proteção social estimulam a demanda por bens e serviços dando dinheiro em troca de mudanças de comportamento, como comprar alimentos mais nutritivos e consultar um médico com regularidade. Avaliações rigorosas mostram que as crianças colhem benefícios duradouros quando os pais têm capacidade para investir nos filhos, o que foi confirmado por iniciativas humanitárias que focalizam a demanda, fornecendo directamente aos pais os bens de que necessitam para ajudar seus filhos. Quando cientistas fazem parcerias com comunidades, a troca de conhecimentos enriquece os dois lados e pode levar a soluções mais eficazes. E quando membros da comunidade se apropriam das intervenções e aumentam seu poder sobre elas, crescem as oportunidades de criar mudanças duradouras.

Adaptando soluções

Em todo o mundo, inovadores estão reduzindo diferenças e criando soluções adaptadas às necessidades locais.

Além de romper fronteiras e reimaginar possibilidades ao nosso redor, inovação significa solucionar problemas dentro das restrições do contexto local. Inovadores só podem trabalhar com o que têm à disposição – e em países e comunidades de baixa renda, nunca há o suficiente. Situações limitadas podem inspirar soluções engenhosas. Onde estradas inundadas impossibilitam a ida de crianças para a escola, uma frota de barcos movidos a energia solar pode levar a escola até elas. Onde bombas e escombros tornam perigoso o caminho até a escola, mensagens de texto podem ajudar a manter a segurança das crianças. Onde frequentes cortes de energia mantêm as famílias na dependência de geradores, que queimam combustíveis caros e emitem fumaça tóxica, urina – grátis, segura e sustentável – pode ser uma alternativa.

Os parâmetros diferem de um país para outro, e de uma comunidade para outra. Inovadores locais sabem melhor o que é e o que não é factível. Toda uma gama de fatores influencia uma solução, tornando-a possível em determinado contexto – desde normas sociais e culturais até características de infraestrutura e ambiente, níveis educacionais das pessoas e suas habilidades. Algo que os trabalhadores imaginam em um local talvez não funcione em outro. O nível de eficácia, aceitação e sustentabilidade da inovação está conectado com sua adaptação à vida e ao ambiente onde vivem as crianças e as comunidades que a utilizarão.

Alcançando cada criança

O redirecionamento da inovação para maior igualdade e para as necessidades dos mais pobres requer esforços deliberados.

Quando o objetivo é um mundo em que todas as crianças possam exercer seus direitos humanos sem discriminação, inovações conseguirão de fato romper as barreiras que afastam tantos indivíduos daquilo de que necessitam para sobreviver e prosperar?

Sim, mas isso não vai acontecer por si só. Do jeito que o mundo funciona hoje, os produtos de inovação mais espetaculares – aparelhos modernos, dispositivos médicos de última geração, nanotecnologias – beneficiam pessoas cujas necessidades básicas já são atendidas.

Alguns afirmam que os benefícios da inovação acabarão por alcançar a todos, mas isso não é uma conclusão precipitada. Uma vez que a inovação tende a ser direcionada para áreas relativamente favorecidas, precisamos trabalhar mais arduamente para levá-la aos mais desfavorecidos – seja em termos de riqueza, gênero, raça, religião, capacidade ou idade. Redirecionar inovações para maior igualdade e para atender às necessidades dos mais pobres requer esforço deliberado.

Repensando estruturas

Quais são os aspectos práticos das inovações para as crianças mais pobres do mundo?

Inovação envolve mais do que novas tecnologias. Embora lidem com descobertas e novos métodos, inovações, por si sós, não modificarão a vida das crianças, das famílias e das comunidades mais pobres do mundo. Para que funcionem em favor de um mundo mais justo, inovações devem lidar também com leis, infraestrutura, instituições, valores culturais, normas sociais, mercados, finanças e pessoas – o que frequentemente significa desafiar o status quo.

Muitas iniciativas vêm promovendo inovações que beneficiam as crianças e as famílias mais pobres. Pensadores proeminentes estão criando novos incentivos para os fabricantes de medicamentos, visando desenvolver remédios para doenças que matam crianças – por exemplo, a tuberculose, que afeta de maneira desproporcional as pessoas que não podem pagar os altos preços dos tratamentos. O desenvolvimento de produtos de livre acesso e as exceções aos direitos autorais vêm rompendo com restrições de propriedade intelectual para a construção de um novo sistema que promova colaboração e adaptação, e que amplie o acesso a informações e tecnologias. Parcerias que associam capacidade técnica empresarial, recursos e redes de distribuição a conhecimentos e experiências da comunidade de desenvolvimento estão criando novos mercados direccionados às necessidades de comunidades não atendidas. Sinergias entre público e privado global e local vêm ajudando a aumentar o impacto de inovações locais e a superar os obstáculos que impedem que as crianças mais pobres usufruam dos seus direitos.

UNICEF

Novembro de 2014

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