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Política

Patrice Trovoada: Um apaixonado por desportos de combate

| Editoria Política | 25/11/2014

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O novo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, admite ser um «bon-vivant», que gosta das coisas boas da vida, ambicioso, «mas no bom sentido», e um apaixonado por desportos de combate.

Patrice Emery Trovoada foi hoje aceite pelo Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, como novo chefe do governo
(DR)

Patrice Emery Trovoada, que foi hoje aceite pelo Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, como novo chefe do governo, com tomada de posse em data ainda não definida, é descendente de uma família muito conceituada em São Tomé e Príncipe - a família Cunha Lisboa Trovoada -, e é considerado uma figura enigmática e reservada, a quem se reconhece uma sólida cultura geral. 

Em declarações à imprensa, o novo primeiro-ministro, líder do partido Ação Democrática Independente (ADI), admite que gosta das coisas boas. «Prefiro não beber vinho para beber de vez em quando um bom vinho, não comer carne, para comer de vez em quando uma boa carne, gosto de saborear a vida, sou um ‘bom-vivant’».

Admite ainda ser ambicioso, mas no «bom sentido da palavra», e considera-se altruísta porque gosta de partilhar, embora lamente que isso seja encarado por uma «certa classe política de gente egoísta» como arrogância porque tem a visão de que «se [uma pessoa] partilha é porque tem muito». 

Patrice Emery Trovoada – nome escolhido em homenagem ao assassinado ex-primeiro ministro do então Congo Kinshasa, atual República Democrática do Congo, Patrice Emery Lumumba – nasceu a 18 de março de 1962 em Libreville.

Casado com uma maliana, é pai de sete filhos. Diz que gosta da vida familiar e considera a esposa como «uma das maiores sortes» que já teve. «Um bom político precisa de ter uma grande senhora em casa. É meu caso».

Entre as suas paixões, elege os desportos de combate, que pratica desde pequeno, e hoje em dia faz boxe tailandês, (muay thai) seis vezes por semana com o seu «personal trainer».

Muçulmano convicto, converteu-se ao islamismo em Paris em 1984, incentivado pelo amigo Ali Bongo, filho de Omar Bongo, ex-Presidente do Gabão, país onde nasceu e onde passou a adolescência.

«Tínhamos namoradas nos mesmos círculos. Durante as férias escolares, corríamos a cidade de motos (…) eu ia com o Ali Bongo no seu Maserati...», descreveu, no posfácio da sua biografia autorizada, «Patrice Trovoada – Uma voz africana», de Carlos Oliveira Santos, lançada em setembro.

Sobre o facto de ser um chefe de governo muçulmano num país de católicos, refere que essa mesma «pequena classe política» usou a sua religião para o insultar, até no parlamento, mas considera que o importante é que o povo sabe que é muçulmano e é a opinião do povo que lhe interessa.

E é ao «povo pequeno» que agradece a sua integração no país, dado que nasceu e viveu grande parte da vida no estrangeiro, o povo que, diz, o recebe em casa e o convida a comer um calulu (prato típico são-tomense) e que também gosta de receber em sua casa, onde não entra «a burguesia elitista».

«Como fui alguém um pouco sui generis, não nasci cá, não vivi muito tempo cá, não fui à escola cá (…) esta ligação com o meu país fez-se primariamente e de uma maneira mais forte com o povo pequeno, com as pessoas que não têm preconceitos, que não têm maldade, não têm inveja», diz. 

Apesar de admitir que a perceção que foi criada a seu respeito o atingiu e o fez «sofrer um bocado», diz, no entanto, que não gosta de «perder tempo com pequenas coisas» e que se quer concentrar agora na governação do país.

Admite que não ficou «muito sorridente ou eufórico» com a maioria absoluta porque sente «o peso da responsabilidade».

Patrice Trovoada diz que se tornou «um romântico do poder», que deve servir para «transformar a sociedade, para mais justiça, mais solidariedade, mais irmandade, mais bem-estar, para crescer, desenvolver, libertar».

Entre os homens que mais o inspiraram na vida está o líder histórico sul-africano, Nelson Mandela. E é com uma frase dele que Patrice Trovoada termina a biografia: «Não me importo com os que os outros pensam sobre o que eu faço, mas importo-me muito com o que eu penso sobre o que faço. Isso é caráter».

Redação com Agência

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