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MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM ENGENDRAR “APARTHEID GLOBAL”

| Editoria Sociedade | 12/08/2019

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Segundo a ONU, o mundo poderá viver, no futuro, uma espécie de apartheid. Só que, e ao contrário do regime de segregação racial sul-africano, que vigorou durante várias décadas do século XX, desta vez, a separação de populações por regiões e classes sociais será global e causada pelas mudanças climáticas.

Por Hugo Melville

As conclusões do último relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, divulgado em Genebra, na Suíça, é bastante explícito e chocante. O texto, elaborado por Philip Alston, relator especial independente que averigua as consequências das mudanças climáticas nos países mais pobres do mundo, prevê que a crise poderá arrastar mais de 120 milhões de pessoas para a extrema pobreza, já na próxima década de 2030.

Estas populações, que se situam maioritariamente no hemisfério sul, e em particular em África, serão os novos “condenados da terra”, numa alusão antiga de Frantz Fanon. As consequências sociais e políticas são previsíveis e anularão todos os benefícios e progressos económicos de desenvolvimento dos últimos 50 anos.

“Corremos o risco de um cenário de ‘apartheid climático’, em que os ricos pagam para escapar ao sobreaquecimento, da fome e de conflitos políticos, enquanto o resto do mundo sofrerá, desamparado”, conclui o relator.

As implicações que as mudanças climatéricas terão sobre os Direitos Humanos são imensos, afirma o especialista, sublinhando que a maioria das instituições que zelam pela terra, em redor do mundo, mal começam a vislumbrar as enormes consequências sociais e políticas. Os direitos básicos à vida, alimentação, água e habitação, serão gravemente afectados. As próprias instituições democráticas serão fortemente abaladas.

“ E os pobres serão, perversamente, os mais afectados”, avisa Alston. “Enquanto as pessoas na pobreza são responsáveis por apenas uma fracção das emissões globais de CO2, elas vão carregar o fardo das mudanças climáticas, tendo em contrapartida muito menor capacidade de se proteger”. Como explica o relatório, as populações dos países pobres vivem em áreas mais susceptíveis, com habitações com menos capacidade de resistência às calamidades, como aconteceu recentemente, em Moçambique, vítimas dos ciclones Idai e Kenneth.

O fluxo de refugiados poderá aumentar, nas próximas décadas, e tornar as migrações “não uma escolha, mas uma necessidade”, como afirmava, no mesmo tom pessimista, um relatório da Oxfam, de 2017, referindo que as alterações climáticas, em África, dentro da estimativa de subida de 1,5º C, poderá levar à perda de 40% das áreas de cultivo de milho. Se a temperatura subir 2ºC – o que certos observadores estimam como mais provável – até 2050, o total de colheitas pode ser reduzida em mais de 10%, com incidência principal sobre as culturas de subsistência.

PERSPECTIVAS SOMBRIAS “ACORDAM” GOVERNOS

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou recentemente um relatório científico, de enorme referência, em que analisa as perspectivas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação à era pré-industrial. O relatório, aprovado por 195 governos, apresenta estudos científicos sobre o aquecimento do Globo e aborda a necessidade de uma acção climática urgente, mas sem apontar a falta de recursos financeiros necessários que a maioria dos países do hemisfério sul necessitaria para contrariar a tendência do sobreaquecimento.

“Os países não poluentes vão pagar a factura dos países (grandes) poluidores”, afirma um especialista em Ambiente. “Existirá uma relação de consequências tão devastadoras como nas piores décadas do colonialismo”.

No final da década de 1970, a indústria petrolífera iniciou investigações sobre a queima de combustíveis fósseis e sua relação com a atmosfera e, paulatinamente, estabeleceu-se que o consenso científico sobre a acção dos gases de efeito de estufa tinha consequências directas no aquecimento global. Desde 1998, o IPPC tem resumido as descobertas sobre mudanças climatéricas globais.

Apesar da opinião “negacionista” de certos cientistas enfeudados à Administração Trump, 97% da comunidade científica concorda que o aquecimento global é resultante da actividade humana, com projecções de cenários até 2100. A actividade perversa do homem atinge, de forma irrecusável, a própria estrutura geológica do globo terrestre, ao ponto que o termo “Antropoceno” é proposto como palavra para designar o novo período da história do nosso planeta, com novos modelos de biodiversidade.

ALTERAÇÃO DA CIRCULAÇÃO DA ATMOSFERA

A maioria dos cientistas presume que existem vários pontos de inflexão no sistema terrestre, mas não consegue determinar exactamente quando os pontos de inflexão serão atingidos, ultrapassando todas as possibilidades de esforços do Homem para contrariar o aquecimento terrestre e o consequente colapso do mundo em que vivemos.

Para muitos peritos, um dos pontos de inflexão já terá começado a sua acção irreversível, no Árctico, onde a temperatura já está “em roda livre”, com a temperatura do ar a aquecer duas vezes mais que a média global. Presumivelmente, a partir da próxima década de 2030, o Árctico estará livre de gelo no Verão.

Assim, a diferença de temperaturas, entre as latitudes médias e o Árctico, que é o impulso para o sistema de circulação geral do Oeste, irá diminuir com o enfraquecimento da chamada corrente de jacto, que afectará os sistemas climáticos.

O Verão, na Europa, e em grande parte do hemisfério Norte, esse comportamento da corrente de jacto foi previsto pela maioria dos climatologistas e meteorologistas. Que previnem para a ocorrência de vagas de calor e de incêndios florestais, que poderão existir mesmo nas regiões da Escandinávia e no Círculo Polar Árctico.

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