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Nas areias movediças do Médio Oriente

| Editoria Sociedade | 13/03/2019

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O ESTADO ISLÂMICO, vulgo Daesh, acabou. No Iraque, a guerra acabou em Dezembro de 2017. Na Síria, quando esta edição da África 21 estiver à venda, os últimos jihadistas entrincheirados na localidade de Baghouz Fouqani, no Sudeste do país, entre a margem oriental do Eufrates e a fronteira iraquiana, estarão mortos ou terão sido capturados pelas forças árabo-curdas, apoiadas pela coligação internacional encabeçada pelos Estados Unidos.

Para a opinião pública internacional, o fim do proto Estado, criado em 2014, entre o Iraque e a Síria deixou, há muito, de interessar, além do eventual regresso aos países de origem de dezenas de milhares de combatentes estrangeiros, suas mulheres e filhos. O presidente dos Estados Unidos disse, em Dezembro, que os seus compatriotas estavam «cansados» e que era hora de trazer para casa os militares que participaram, no terreno, à sucessão de guerras que durante três décadas o «ocidente» livrou na região que se estende do Mediterrâneo ao Afeganistão.

Os americanos não são os únicos a terem o sentimento de que, talvez, não valeu a pena gastar tanto dinheiro e matar tanta gente porque, além das ruínas, não se vislumbram mudanças ou ganhos significativos, em termos de democracia, liberdades e condições de vida, para os povos da região. Embora se continue a combater, no Iémen, na Líbia e no Afeganistão, chegou a hora dos balancés, porque o mundo não pára e é preciso começar a pensar no futuro desta entidade, de contornos mal definidos, que os jornalistas se habituaram a chamar de «mundo árabe», centrado na Península Arábica, berço do Islão, religião hoje professada por um quarto da humanidade.

Como todos os povos colonizados, os nacionalistas árabes tiveram, no século passado, sonhos de emancipação e progresso, o petróleo foi o coveiro do pan-arabismo laico e modernizador e teceu, depois da segunda guerra mundial, novos laços de dependência entre o Ocidente e as suas ex-colónias árabes, de que saíram beneficiados os feudais mais retrógrados das «petromonarquias».

(Leia o artigo na integra  na edicção nº137 da Revista África21, mês de Março)

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