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EM NOME DO CANUDO, A FABRICA DOS DIPLOMAS

| Editoria Sociedade | 25/10/2018

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Por J. A. Rangel

Com algum atraso, o ensino superior implementou-se em Angola, então colónia, em 1962, com a criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola. Hoje, o país tem quase 200 mil estudantes universitários que frequentam 15 instituições públicas de ensino superior e 38 instituições privadas. A pergunta que não quer calar: será que a expansão e o crescimento do ensino superior em Angola se tem feito acompanhar da preocupação com a qualidade de ensino?

NÃO É POSSÍVEL RESPONDER cabalmente a essa pergunta, porque há uma tradição de avaliação das instituições de ensino superior em Angola. Não há um ranking das universidades e institutos superiores, e a Universidade Agostinho Neto nunca se preocupou fazer uma avaliação ao serviço acadêmico que presta à sociedade, tão-pouco existem indicadores fáveis de referência comparáveis a universidades similares de países africanos. Muitas universidades privadas são apenas… paisagem: verdadeiras “fábricas de diplomas”. E mais: existem vários indicadores que apontam para a promoção da mediocridade e a ausência de aposta em investigação científica e bibliografia adequada, além da possibilidade de obtenção de diplomas sem a indispensável competência técnica.

Nesseambiente acadêmico, não é possível uma formação superior de qualidade.

Para estudantes e docentes universitários, o pecado original vem de muito longe. “O mal vem ainda do ensino primário”, afirma categórico o estudante Manuel Tomás. Psicólogo e professor universitário, Carlinhos Zassala não tem dúvidas de que a "reforma educativa no ensino primário em Angola falhou". Mas a grande machadada foi desferida, na sua opinião, pela introdução da monodocência – o mesmo professor a leccionar todas as disciplinas até à 6ª classe. "O Governo não levou em consideração as premissas daqueles que propuseram esse sistema, aqueles que realizaram as pesquisas”, afirma este crítico da monodocência.

                          

Há muito que não se realizam exames nacionais em fim de ciclo escolares. “Exames nacionais são necessários e fundamentais para aferir das capacidades reais dos alunos”, acredita Manuel Tomás. Esta prática é registada nos países da francofonia e da Commonwealth. Não se faz em Angola por causa, talvez, do culpado do costume: a guerra civil.

 

(Leia o artigo na integra na edição nº 133 da Revista África 21, mês de Outubro)

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