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RELGIÕES E SEITAS EM ÁFRICA, O NOVO ÓPIO DO POVO?

| Editoria Sociedade | 25/10/2018

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Por Pedro Vila Nova

Se em África existe um domínio em desenvolvimento galopante sem qualquer paralelo com o passado, este passa-se no domínio religioso, do místico e da espiritualidade. O continente africano tornou-se a nova terra prometida de todas as igrejas, de todas as crenças, que encontram na liberdade de culto um terreno fértil para a sua receptividade no seio das populações empobrecidas e muitas vezes esquecidas de qualquer política social por parte das elites governativas.

Em 1972, o pensador alemão Anders Gunther atacou fortemente as três religiões deístas e criacionistas (o judaísmo, o cristianismo e o islamismo) por, através de numerosas seitas e igrejas, espalharem uma espécie de toxicomania por vezes numa lógica de poderes e afrontamentos em proveito de mordomias sociais e materiais a favor de um “clero” manipulador e sem escrúpulos.

Um recente estudo sobre crenças e práticas religiosas aponta a existência de 10 religiões principais no mundo inteiro, e 10.000 seitas em disputa da “salvação das almas”, das quais 6000 em África, 1207 nos Estados Unidos, 421 no Japão e 247 em território francês, além de inúmeras braços do hinduísmo e do budismo, presentes em toda a Ásia.

A palavra seita vem do verbo latim “secare” (segar) e define a seita como um grupo que se desligou de uma igreja largamente estabelecida; outros remontam a palavra ao latim “sequir” (seguir), ou seja, a ruptura em torno do novo líder, profeta ou mentor religioso. Na verdade, as grandes igrejas começaram por ser, na maior parte dos casos, seitas antes de ganharem o estatuto de respeitabilidade de Igrejas.

A proliferação de seitas (ou pequenas igrejas) em África é o produto directo de uma crise da civilização ocidental e da sociedade de consumo em particular, da incapacidade das novas elites governativas de promoverem uma ascensão social das classes empobrecidas que formam a cintura das grandes cidades, sem condições básicas de ordem sanitária, desprovida de todos os suportes de infra-estrutura educacional e flagelada por uma alta taxa de desemprego.

(Leia o artigo na integra na edição nº 133 da Revista África 21, mês de Outubro)

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