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Crianças do Benim já podem conciliar escola e tradições voodoo

| Editoria Sociedade | 26/05/2016

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Levantam pó com os pés enquanto dançam na areia. Têm colares às cores e roupas de padrões garridos. Balançam os seus corpos ao som da música. Na frente vão quatro crianças, que parecem «possuídas» pelo ritmo. Este grupo é seguidor do voodoo, religião profundamente instalada no Benim. Para as crianças, nunca foi fácil conciliar esta parte e a educação escolar. Mas isso está a mudar, explica o El País.

A Plan International trabalha em parceira com os sacerdotes e os líderes tradicionais, para que sejam eles próprios a perceber a importância da educação
(DR)

Há centenas de espaços dedicados ao culto voodoo no Benim. São lugares semissecretos e de feitiçarias, para onde as crianças que se acredita estarem possuídas por espíritos são enviadas. Os mais pequenos chegavam a passar sete anos nestes lugares, isolados do mundo exterior e não recebendo nenhuma formação, a não ser em cânticos e bailes.

Quando os pais não encontram curas, mesmo para as doenças mais comuns, enviam os filhos para os «conventos de voodoo». Depois serão os oráculos a decidir quando é que as crianças poderão ser libertadas. Nunca ficam ali menos de dois anos. E normalmente perdem a educação para sempre.

«Vivi num convento voodoo três anos. Sofri muito», conta ao El País Elise, de 15 anos. «Quando não aprendia as canções tradicionais ou as danças, batiam-me muito.»

O Benim, com 10 milhões de habitantes, é o «lugar espiritual» do voodoo, uma religião cujos seguidores creem que os espíritos e outros elementos de essência divina governam a terra, através de uma hierarquia espiritual. Há poderes em todo o lado, nas cidades e em todos os elementos da natureza.

Dhossou Yaovi, sacerdote em Couffo, garante que salvou várias crianças possuídas. «Está comprovado que este é um método muito eficaz de cura de doenças», frisa. Os rituais, esses, são secretíssimos; só quem passa por eles sabe o que acontece.

Houndedji Sowalos é uma das pessoas que tomam conta das crianças que chegam àquele convento de voodoo. «Quando as crianças aqui chegam permanecem nos santuários por três meses. O santuário é uma pequena habitação, escura, onde o lugar de culto está repleto de ossos de animais. As crianças não podem sair e ninguém pode vê-las. Quando regressam ao exterior, são ensinados a cantar e bailar.»

Os sacerdotes usam também a escarificação (cortes na pele), dependendo da natureza da doença. Noutro convento, Madeleine, 10 anos, diz tranquila que passou por este ritual. «Havia muito sangue, por todo o lado. Mas para mim o pior era a falta de comida. Não podíamos sair e não tínhamos dinheiro.»

A Plan International trabalha no Benim, juntamente com ONG locais, para ajudar as crianças que são «agarradas» por esta tradição. Mas o voodoo faz parte da cultura do Benim, e é preciso ter isso em conta se se quiser mudar algo. É por isso que a Plan International trabalha em parceira com os sacerdotes e os líderes tradicionais, para que sejam eles próprios a perceber a importância da educação. E os responsáveis religiosos já começam a compreender que as crianças não podem passar tanto tempo nos conventos.

«No ano passado houve uma cerimónia formal na qual todos os sacerdotes da religião voodoo, ou enviados deles, se reuniram para assinar um acordo com o governador local, prometendo que libertariam as crianças dos conventos e as enviariam de regresso à escola», diz ao El País Rheal Drisdelle, diretor-geral da Plan International no Benim.

Como resultado, mais de 300 crianças (193 delas raparigas) foram libertadas, para poderem voltar a estudar. Destas, 280 regressaram à escola, e 30 estão em cursos de formação profissional. Um acordo posterior garante que, agora, as crianças que entrarem num destes conventos só podem lá ficar três meses, e durante o período de férias, para que não percam dias de escola.

«Isto pressupõe uma profunda mudança de valores» dos sacerdotes, reconhece Drisdelle. «Temos de manter o apoio aos líderes locais e à comunidade voodoo, para que possamos continuar a gerar um grande impacto na vida destas crianças.»

Redação

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