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Homem branco ainda é perfil dominante em Hollywood

| Editoria Cultura | 26/02/2016

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Em plena polémica em Hollywood sobre a falta de diversidade racial entre os nomeados para os Óscares, um estudo divulgado esta segunda-feira sustenta que o homem branco continua a ser predominante no cinema e na televisão, enquanto as minorias raciais e as mulheres são condenadas às sombras.

O exaustivo relatório baseia-se na análise de 414 produções audiovisuais (109 filmes e 305 séries de televisão) de 2014 e 2015
(DR)

Esta é a premissa do estudo «Inclusão ou Invisibilidade», realizado por investigadores da Escola Annenberg de Jornalismo e Comunicação, pertencente à Universidade do Sul da Califórnia (USC). A principal conclusão é inequívoca e contundente: «Hollywood tem um problema com a diversidade».

Além disso, e concretamente para o caso dos filmes, o documento afirma que «a indústria do cinema ainda funciona como um clube de meninos brancos e heterossexuais».

O exaustivo relatório baseia-se na análise de 414 produções audiovisuais (109 filmes e 305 séries de televisão) de 2014 e 2015, e centra o seu foco nos profissionais que se encontram diante e atrás das câmaras, para saber qual é a participação das mulheres, das minorias raciais e do coletivo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros).

Quanto às mulheres, apenas 33,5% das personagens com diálogo foram femininas, percentagem que caiu para 28,7% no caso de papéis em filmes.

Estabelecendo um patamar de entre 45% e 54,9% de mulheres com falas no guião para falar de uma «distribuição equilibrada», o estudo concluiu que apenas 18% das produções apresentaram um elenco diverso quanto ao género. «Está claro que as mulheres seguem num estando ainda pouco representado na tela ao longo do ecossistema da ficção popular», destacou o relatório.

A discriminação na representação de papéis femininos piora quando se aumenta a idade, dado que três em cada quatro dos papéis para maiores de 40 anos foram para homens.

Além disso, o estudo focou a sua atenção na sextuplicação das personagens femininas e concluiu que 34,3% das mulheres apareceram com «roupa sexy», contra 7,6% dos homens; e 33,4% mostraram algum tipo de nudez, em contraste com 10,8% dos homens.

Por trás das câmaras, a situação também não melhora: apenas 15,2% dos produtores eram mulheres (3,4% no caso de realizadoras) e só 28,9% dos guionistas eram de sexo feminino.

Quanto à representação de minorias ou outras raças, 28,3% das personagens com diálogo não eram brancas (12,2% eram negras, 5,8% latinas, 5,1% asiáticas, 2,3% do Médio Oriente e 3,1% de outras etnias), apesar de a proporção real destes grupos demográficos ter ascendido 37,9%, segundo o Censo dos Estados Unidos.

«Cerca da metade das produções analisadas não apresentaram personagens de origem asiática e 22% não incluiu papéis de negros», indicaram os investigadores.

Outros dados foram ainda menos positivos: tendo em conta só os produtores de filmes, 87,3% deles eram brancos.

Por último, apenas 2% das personagens com diálogos eram gays, lésbicas ou bissexuais, uma percentagem menor do que os 3,5% da população americana que, segundo um estudo do Instituto Williams da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), se identifica como parte da comunidade LGBT. Incluindo também as pessoas transgénico, cerca de três quartos das personagens LGBT foram homens e quase 80% do total eram brancos.

O estudo da USC é divulgado a poucos dias da 88.ª edição dos Óscares, que chega precedida de uma polémica pela não inclusão de atores negros entre os nomeados pelo segundo ano consecutivo.

Esse facto motivou a ameaça de um boicote por parte da comunidade negra, assim como o anúncio da Academia de que tomará medidas para aumentar a diversidade. 

Redação com Agência

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