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Live Aid: Foi há 30 anos que o mundo parou

| Editoria Sociedade | 13/07/2015

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Foi há 30 anos que o mundo parou para assistir ao Live Aid, num evento irrepetível em termos de dimensão e de efeitos. Foi pensado do início ao fim por Bob Geldof e Midge Ure, que queriam arrecadar dinheiro para enfrentar alguns dos problemas vividos por países africanos relacionados com a fome. Podia parecer difícil juntar os maiores nomes da música da época, na altura em tournées mundiais, a aceitarem participar, mas até isso se conseguiu. Seja como for, vale a pena contar a história para trás do grande dia.

O Live Aid foi visto por quase 2 mil milhões de pessoas, em cerca de 160 países
(DR)

A história

Estávamos em 1984. Bof Geldof era vocalista dos Boomtown Rats, uma banda cujo sucesso estava aquém do esperado. Mas ele destacava-se pela qualidade das letras que escrevia, e também pela boa relação que mantinha com os músicos ingleses.

Geldof e Midge Ure compõem nesse ano a música Do They Know It’s Christmas? (mais tarde transformou-se em hit pop das músicas de Natal, mas na verdade foi criada num âmbito e numa altura do ano bem diferentes). Juntaram uma série de «nomes sonantes», criaram a Band-Aid e gravaram-na. Paul McCartney estava lá, Sting também, e o mesmo se passava com Phill Collins, Boy George, ou Bono Vox. Por pouco, a ideia não saía do papel, porque Geldof temia que a opinião pública inglesa visse no seu projeto uma tentativa de lucro e de sucesso próprio. Mas a música acabou por ser editada, bem como o vídeo – e a partir daí o projeto ganhou outras dimensões, inéditas.

Geldof partiu em seguida para África. Diz que essa viagem, que inicialmente nem queria fazer, lhe mostrou que era preciso muito mais do que aquilo que ele já tinha planeado.

No ano seguinte, 1985, Harry Belafonte (músico, cantor, ator, ativista político e pacifista norte-americano de ascendência jamaicana) ligou a Bob Geldof e pô-lo em contacto com Quincy Jones, com quem produzira o USA for Africa. A ideia passou a ser montar um espetáculo como nunca antes visto, para ajudar África. Geldof e Ure fizeram-se rodear dos melhores produtores e artistas. E o Live Aid estava prestes a chegar.

O espetáculo

A ideia era que não fossem feitas quaisquer gravações com propósitos comerciais. O mega-concerto que se avizinhava seria apenas transmitido em direto pelas televisões, e estas deveriam apagar qualquer gravação logo após o concerto. Ainda assim, esta parte do plano não funcionou – tanto que é relativamente fácil encontrar vídeos na internet com longos excertos do concerto.

O Live Aid foi um dos eventos com maior alcance via satélite de sempre. Foi visto por quase 2 mil milhões de pessoas, em cerca de 160 países. Os mestres de cerimónia, como Jack Nicholson ou Bill Graham, subiam a palco de vez em quando para pedirem donativos. E eles chegavam.

Nos locais do espetáculo estavam mais de 100 mil espetadores. Em Wembley eram 72 mil. Foram 16 horas de música, com Queen, Beach Boys, Sting, Dire Straits, U2, B.B. King, Madonna, Judas Priest, Black Sabbath, Eric Clapton, Simple Minds, Duran Duran, The Pretenders, The Who, Elvis Costello, Joan Baez, Sade, Tina Turner ou Mick Jagger. O 13 de julho de 1985 ficava assim para sempre gravado na história da música – e do mundo.

O Concorde

Concorde é, como muitos sabem, o nome de um avião supersónico, muito famoso na década de 80. E fez parte daquela que foi talvez a maior ousadia de todo o evento. Phil Collins foi convocado para esta aventura. A ideia era que o cantor e baterista atuasse nos dois principais palcos do evento – que se encontravam separados pelo Oceano Atlântico. Perante as limitações em termos de tempo, só um voo num Concorde poderia permitir que tal fosse possível. E foi: Against all Odds foi tocada por Phill Collins nos EUA e em Inglaterra.

As duas reuniões históricas

No Live Aid fez-se história dentro da história. Os Black Sabbath e os Led Zeppelin voltaram a reunir-se para o espetáculo. No caso dos últimos, sabe-se que nem tudo correu muito bem – e que Jimmy Page não estava contente nem com a reunião da banda nem com as condições de som do palco. Mas, «incidentes» à parte, esta foi a primeira de várias reuniões da banda, que se separara alguns anos antes.

No caso dos Black Sabbath, estes não tinham terminado, pelo menos oficialmente, mas a banda estava claramente parada – e desmembrada. Ainda assim, Bof Geldof conseguiu a «proeza» de reunir naquele palco os quatro membros que a compunham originalmente. A apresentação não foi, de todo, brilhante, com os membros da banda a reconhecerem posteriormente que nada correu bem, mas, ainda assim, os fãs não esquecem este «reencontro».

O Dia Mundial do Rock

Lenda ou realidade, não se sabe bem. Mas diz-se que Phil Collins, depois do êxito deste evento, sugeriu que o 13 de julho se tornasse, a partir dali, o Dia Mundial do Rock. Mas a ideia não teve grande impacto, e há poucos países que o assinalem. (O Brasil é um deles.)

A politização

A proposta do evento, em si mesma, tinha, claro, um lado político. Mas depois de se assistir àquela maratona de concertos era claro que um evento assim, sem precedentes, teria impacto na vida política mundial. Bob Geldof reconheceu mais tarde que cedo percebeu que o Live Aid iria além dos seus propósitos iniciais. Juntaram-se 30 milhões de libras, mas o número de telespetadores transformou-se «num lobby político», disse o músico. Margaret Thatcher colocou a pobreza na agenda do G7, aceitando o argumento de que a pobreza era uma influência desestabilizadora para a economia global.

O pós Live Aid

Geldof deixou os Boomtown Rats depois do Live Aid. Continuou a trabalhar a solo, mas a sua carreira tem pouco sucesso. Mais do que como músico, o mundo passou a conhecê-lo, e ainda o conhece assim hoje, como um ativista das causas humanitárias. Organizou em 2005 o Live 8, com Bono Vox, com uma série de concertos nos países que integram o G8, por ocasião do vigésimo aniversário do Live Aid. O evento teve por objetivo pressionar os líderes mundiais, que participavam na altura na conferência do referido grupo (dos países economicamente mais influentes do mundo). A ideia era pedir o perdão da dívida externa das nações mais pobres, e também que se negociassem regras de comércio mais justas, que respeitassem os interesses das nações africanas.

Por outro lado, em 2014, trinta anos depois da primeira versão, Geldof juntou uma série de nomes da música para uma nova versão de Do They Know It’s Christmas – esta já editada em época natalícia.

O Live Aid foi um dos eventos de música mais influentes de todos os tempos – se não mesmo o mais influente de todos eles. No entanto, trinta anos depois muitos dos problemas denunciados em 1985 continuam presentes. 

E Bob Geldof continua o seu trabalho.

Redação

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