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Nigéria aposta na produção nacional de automóveis

| Editoria Economia | 13/03/2015

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A Nigéria, que já é oficialmente a maior economia africana, juntou-se ao «clube» dos países que fabricam automóveis localmente. A Innoson Vehicle Manufacturing Company Limited (IVM) lançou os seus primeiros veículos no final de 2014. As perspetivas apontam para que os impostos sobre a importação de veículos aumentem exponencialmente, e este pode ser o início de uma nova era para o fabrico automóvel.

O governo anunciou um imposto extraordinário de 35% sobre a importação de veículos usados, para proteger a indústria nacional
(DR)

A IVM fez história em finais de novembro, quando revelou 500 carros «made in Nigeria», construídos nas suas instalações na cidade de Umudim, província de Nnewi, estado de Anambra. Tornou-se a primeira fabricante nacional a alcançar este marco. Os veículos foram montados sobretudo com materiais locais e têm um preço bem mais baixo do que o dos importados.

Os dois modelos principais (o Fox, com cinco lugares, caixa manual ou automática e motor de 1,5 litros, e o Umu, um «executivo» com motor de 2 litros) são totalmente equipados com a tecnologia e os gadgets mais modernos, e com sistema de navegação. Adicionalmente, a IVM preparou também o Uzo, um «minibus» de sete lugares. Os três veículos são eficientes em termos de combustível, e o CEO do Innoson Group, Innocent Chukwuma, explica que «foram cuidadosamente construídos para irem ao encontro das expectativas dos nigerianos. E foram preparados para oferecer um bom serviço a utilizadores privados ou corporativos».

Nesta altura, a empresa já vendeu muitos carros, diz Chukwuma, em resposta a encomendas que chegaram, e o CEO confessa que a procura é alta. Em alguns estados nigerianos, as frotas oficiais dos responsáveis políticos já são IVM. O Innoson Group prometeu fazer descer os preços dos automóveis na Nigéria, e para isso conta com a Innoson Technical and Industrial Company Limited – uma empresa «irmã» que fornece todos os componentes de plástico e de borracha dos novos veículos de passageiros. E Chukwuma explica que, com o mesmo objetivo, a IVM adquiriu outras partes e acessórios a empresas como o Ibeto Group, a Omatha Holdings ou a Cutix Cables, que trabalham no cluster industrial (e agora sobretudo automóvel) de Nnewi. Este é um dos três clusters que existem em território nigeriano especializados em produzir componentes automóveis, que são depois testados e certificados na Nigéria.

O CEO do Innoson elogia largamente a nova política automóvel do governo, e pede aos cidadãos nacionais que optem por comprar IVM, de forma a apoiar o negócio nacional, e aos produtores ou artesãos que entrem em contacto com a empresa, para que se possam criar mais trabalhos e parcerias frutuosas para o maior número de pessoas e negócios possível. No fundo, para que toda a economia nigeriana possa crescer, direta ou indiretamente, graças ao ramo automóvel.

«Innoson é a única marca automóvel que não pode ser encontrada ou comprada em qualquer outro lugar no mundo sem ser na Nigéria. Nos EUA, têm orgulho na Ford e na Chevrolet; na Índia, a Tata e a Maruti são respeitadas, promovidas e apoiadas pelo governo e pelos cidadãos; na Malásia, a Proton, que também é nacional, é acarinhada por todos. Mas, se formos à Europa, à América ou à Ásia, ou a qualquer lugar fora deste país, não veremos qualquer carro de marca Innoson, porque o nome só existe aqui», salienta Innocent Chukwuma.

A IVM foi lançada em 2007, como produtora de autocarros, pick-ups, camiões e SUV. O Presidente da República, Goodluck Jonathan, fez uma encomenda oficial em 2010, e foi esse apoio que permitiu à empresa lançar a produção de carros nas suas instalações «a todo o gás».

Importação cai 20%

O ministro da Indústria, do Comércio e do Investimento, Olusegun Aganga, elogia largamente a Innoson, por ter arriscado e por ter investido na Nigéria, apesar do ambiente de negócios tão desafiador e lembra que a política automóvel do Executivo levou a uma quebra de 20% nas importações de carros desde que foi instituída.

«Gastamos cerca de 6 mil milhões de dólares anualmente na importação de carros. No entanto, desde a introdução desta política, testemunhámos uma queda de 20% nessas importações, e excedemos as nossas próprias expectativas num espaço de tempo muito curto», refere Aganga. E Rasheed Olaoluwa, diretor de operações do Banco de Indústria (uma instituição de desenvolvimento financeiro, que financiou o projeto inicialmente), partilha do mesmo otimismo: «Hoje, na Nigéria, há várias empresas ligadas à construção automóvel. Mas, pela primeira vez, estamos realmente a fabricar carros. O Plano para a Revolução Industrial Nigeriana começa a dar frutos nas áreas-chave das vantagens competitivas e comparativas, nas quais assentam o crescimento e o desenvolvimento da economia».

Por outro lado, o presidente da Sociedade Nigeriana de Engenheiros, Ademola Olorunfemi, cuja instituição certificou as operações IVM após os primeiros fabricos, também elogia largamente a Innoson por ter «iluminando o caminho da indústria automóvel local». Aquando da inauguração da fábrica, Olorunfemi disse que, «no espaço de dois anos, a Innoson superou todas as nossas recomendações, e 70% dos componentes que usa nos seus veículos são de fabrico nacional, o que está totalmente em linha com o que se verifica em qualquer outra parte do mundo».

A empresa trabalha também em parceria com a Organização de Standards da Nigéria, para assegurar que tudo o que produz vai ao encontro dos parâmetros de qualidade internacionais.

A política automóvel nigeriana

A Política Automóvel Nacional, que ficou ativa em 2013, procura assegurar a sobrevivência e o crescimento da indústria nigeriana, através também do uso de matérias-primas e/ou componentes produzidos a nível nacional. Alguns dos elementos-chave desta política são a disponibilização de carros com preços acessíveis aos nigerianos, o aumento das oportunidades de trabalho ou a manutenção das taxas de câmbio.

Para proteger a indústria nacional da competitividade ligada às marcas importadas, o governo anunciou um imposto extraordinário de 35% sobre a importação de veículos usados, que entrará em vigor já em abril. E a ideia é que este valor aumente gradualmente, até aos 70%, quer nos veículos usados quer nos novos. E, além de esta medida levar a uma quebra nas importações de automóveis, tem ainda um outro efeito que pode ser benéfico para a economia: marcas como a Nissan, a Toyota ou a Hyundai já disseram que irão provavelmente construir fábricas na Nigéria, para poderem produzir localmente.

No entanto, alguns analistas mostram reservas quanto a esta política, essencialmente porque o país é ainda muito instável em termos de energia, nomeadamente quanto à eletricidade. Os investimentos em fontes de energia alternativas chegam a rondar os 30% do total, o que poderá tornar os baixos preços dos veículos incomportáveis para a própria Innoson a curto ou a médio prazo.

Ainda assim, a empresa (que venceu em 2012 o prémio de Negócio Africano do Ano, da revista African Business) mostra-se decidida a contornar quaisquer obstáculos – e a verdade é que o volume de vendas parece confirmar esse otimismo.

Redação

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