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Angola vai avaliar nível de aprendizagem das línguas nacionais

| Editoria Política | 04/03/2015

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O Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE), que entrará em vigor ainda este ano, envolverá uma avaliação à aprendizagem das várias línguas nacionais no país.

A língua oficial em Angola é o português, falada, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, por 85% da população
(DR)

A informação consta do despacho presidencial que criou, a 20 de fevereiro, a comissão interministerial responsável pela elaboração deste plano, também designado de «Educar Angola 2015-2025», integrando 18 ministros e outros elementos representantes de órgãos do governo.

O plano, de acordo com o documento, assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, visa reforçar a incorporação no sistema de ensino, das ações de formação profissional e politécnica, desporto, cultura, educação patriótica, cívica e cidadania, ciência e tecnologias de informação. 

«Diagnosticar o nível da aprendizagem das línguas nacionais» consta das várias atribuições desta comissão, responsável pela implementação do «Educar Angola 2015-2025».

A língua oficial em Angola é o português, falada, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, por 85% da população, com maior predominância para a população residente nas áreas urbanas. Entre as cerca de uma dezena de línguas nacionais angolanas, o umbundo é o mais falado (29%), seguido do kimbundu (10%) e do kikongo (9%).

O investigador angolano de linguística Bonifácio Tchimboto afirmou em setembro, em Luanda, que a «carga negativa» do tempo colonial associada à utilização das línguas nacionais ainda persiste em muitas famílias de Angola, que preferem que os filhos aprendam apenas português. Para o especialista, que falava então no terceiro Congresso Internacional de Língua Portuguesa, promovido pela Universidade Jean Piaget de Angola, a aprendizagem das línguas nacionais pode assim estar comprometida.

Muitas famílias receiam que o tempo necessário para aprender a segunda língua, nacional, influencie as restantes atividades dos mais novos, optando apenas pelo idioma oficial. Além disso, recordou o especialista, para muitos angolanos ainda persiste a lembrança da placa de madeira com a inscrição «burro», colocada aos estudantes mais novos apanhados na escola, no tempo colonial português, a falar umbundo. «Essa carga pesada sobrevive ainda hoje na cabeça de muitos. Temos entre os nossos concidadãos aqueles que olham para o bilinguismo como um defeito, que a competência em duas línguas é um defeito», defendeu Bonifácio Tchimboto. Sublinhou, por isso, que se na altura do tempo colonial português «a luta era tentar evitar falar umbundu a todo o custo», hoje, «em público, muitos dizem que não se deve usar a língua africana».

Na mesma ocasião, o ministro da Educação de Angola, Pinda Simão, - que vai coordenar a comissão interministerial responsável pela implementação do PNDE - garantiu que a aprendizagem das línguas nacionais nas escolas é um processo que está em curso e que já conta com material pedagógico elaborado. «Mas é preciso encontrar professores para ensinar as línguas nacionais. A dificuldade é a esse nível, estamos a equacionar soluções», disse o governante.

Entre outras ações, a comissão responsável pelo «Educar Angola 2015-2025» terá a missão de desenvolver um estudo sobre a presente situação do sistema educativo nacional, que conta com mais de seis milhões de estudantes, nos vários níveis de ensino, tendo como «enquadramento» a reforma do mesmo, nomeadamente em termos de «capacitação e motivação permanente de professores e outros quadros da educação» e na instituição de um sistema de avaliação de docentes e alunos.

Deverá ainda elaborar programas de ação e propor novas áreas programáticas em função das novas tecnologias de informação e comunicação, bem como no ensino à distância, entre outras áreas de intervenção.

Redação com Agência

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